segunda-feira, 21 de junho de 2010

PAULO MARABÁ

Provavelmente – eu digo- provavelmente, alguns visitantes desse singelo blog não conheceram um senhor de nome Paulo Marabá.
Seu Paulo, assim que costumávamos chamá-lo devido ao respeito e disciplina que ele deixava transparecer quando da sua presença. Um homem sempre sério, mas que escondia um sorriso moleque por trás do seu ar sisudo, ao passo que possuía um temperamento forte como todos que tem personalidade, e por isso muitos falavam calúnias sobre ele; mas seu Paulo não se deixava derrotar, era um homem de fibra, como acredito que o foi até o último momento.
Todos os moleques daquela rua chamada Bartolomeu Igreja aprenderam a gostar e jogar futebol devido ao modelo de jogador que tínhamos como referência, seu Paulo. Lembro-me muito bem quando vir uma foto num velho jornal da capital com a foto do Paulo Marabá vestido com a camisa da Tuna Luso Brasileira, então grande time da capital Belém- PA. Por essa foto dava para perceber que era um jogador clássico, alto e seguro na sua posição.
Acrob era o seu time de honra, foi aqui que buscávamos ser igual a ele num campo de futebol, a camisa era azul, azul como era a vontade de ganhar que víamos nos seus olhos durante o intervalo do jogo, percebíamos que ele queria o bom desempenho do time, não interessando se ganharíamos ou perderíamos, ele queria que mostrássemos a nossa dignidade, ainda que garotos fôssemos.
Marabá-PA perde uma referência de futebol, de técnico, de dirigente, de gerenciador, de jogador, de amigo, de vizinho, de pai. Um homem que tirou muitos jovens das drogas, do crime, da irresponsabilidade, do abismo, trazendo os para uma alternativa, o esporte. Lembro-me muito bem da primeira vez em que entrei no Estádio de futebol Zinho de Oliveira, estava com um colega de infância, ainda lembro os times em campo: Acrob x Marabá, as luzes dos refletores batiam no gramado verdinho como se fosse um espelho, no banco do lado esquerdo de quem sobe às escadas para a arquibancada estava o técnico da Acrob, em pé com os braços cruzados observando o jogo, um dia inesquecível. Para a vida deixou uma família cheia de orgulho do homem que foi, para nós, ex-jogadores ou atuais, deixa o exemplo de técnica, para os marabaenses ficará a história, para o Estádio Zinho de Oliveira ficará a lenda, Paulo Marabá.