domingo, 27 de junho de 2010

Mário de Andrade

Moça Linda Bem Tratada

Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.

Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.

Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...

Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta do pobre arromba:
Uma bomba.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PAULO MARABÁ

Provavelmente – eu digo- provavelmente, alguns visitantes desse singelo blog não conheceram um senhor de nome Paulo Marabá.
Seu Paulo, assim que costumávamos chamá-lo devido ao respeito e disciplina que ele deixava transparecer quando da sua presença. Um homem sempre sério, mas que escondia um sorriso moleque por trás do seu ar sisudo, ao passo que possuía um temperamento forte como todos que tem personalidade, e por isso muitos falavam calúnias sobre ele; mas seu Paulo não se deixava derrotar, era um homem de fibra, como acredito que o foi até o último momento.
Todos os moleques daquela rua chamada Bartolomeu Igreja aprenderam a gostar e jogar futebol devido ao modelo de jogador que tínhamos como referência, seu Paulo. Lembro-me muito bem quando vir uma foto num velho jornal da capital com a foto do Paulo Marabá vestido com a camisa da Tuna Luso Brasileira, então grande time da capital Belém- PA. Por essa foto dava para perceber que era um jogador clássico, alto e seguro na sua posição.
Acrob era o seu time de honra, foi aqui que buscávamos ser igual a ele num campo de futebol, a camisa era azul, azul como era a vontade de ganhar que víamos nos seus olhos durante o intervalo do jogo, percebíamos que ele queria o bom desempenho do time, não interessando se ganharíamos ou perderíamos, ele queria que mostrássemos a nossa dignidade, ainda que garotos fôssemos.
Marabá-PA perde uma referência de futebol, de técnico, de dirigente, de gerenciador, de jogador, de amigo, de vizinho, de pai. Um homem que tirou muitos jovens das drogas, do crime, da irresponsabilidade, do abismo, trazendo os para uma alternativa, o esporte. Lembro-me muito bem da primeira vez em que entrei no Estádio de futebol Zinho de Oliveira, estava com um colega de infância, ainda lembro os times em campo: Acrob x Marabá, as luzes dos refletores batiam no gramado verdinho como se fosse um espelho, no banco do lado esquerdo de quem sobe às escadas para a arquibancada estava o técnico da Acrob, em pé com os braços cruzados observando o jogo, um dia inesquecível. Para a vida deixou uma família cheia de orgulho do homem que foi, para nós, ex-jogadores ou atuais, deixa o exemplo de técnica, para os marabaenses ficará a história, para o Estádio Zinho de Oliveira ficará a lenda, Paulo Marabá.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

SARAMAGO


Morre o autor de entre outros vários livros: Cem anos de solidão; Ensaio sobre a cegueira; Memorial do convento; As intermitências da morte; A viagem do elefante; O conto da ilha desconhecida; Levantado do chão; Ensaio sobre a lucidez; O evangelho segundo Jesus Cristo, este o mais polêmico, na minha modesta opinião.
Não irei me ater em religião ou visão política, ainda que esses dois pontos baseiem a vida de um ser humano, mas procurarei comentar a arte da literatura que José Saramago tão bem pintou. Um homem que veio de uma família analfabeta, cuja mãe era empregada doméstica, o avô que era criador de porcos e talvez o homem de maior influência na vida do escritor. Havia um ar de mistério literário em suas entrevistas, algo que só era desvendado depois de uma boa leitura das suas obras, havia algo de desconcertante em seus raciocínios críticos, era como uma espada afiada e pontiaguda, eis o motivo pelo qual saiu de seu país natal, Portugal.
O lugar onde procurou morar parece um capitulo de um livro, Ilhas Canárias, na verdade mais uma fonte de inspiração do que uma simples moradia, sua esposa, 30 anos mais nova também era sua fonte de ideias. Saramago não residia, ele embelezava o local com seu mistério. Um Homem que quando criança não possuía dinheiro para comprar um livro se quer, mas que sonhava incessantemente em ter o primeiro de milhares livros.
“Não se apresse, mas não perca tempo”, é uma de suas mais conhecidas frases, e foi assim que ele viveu, sem pressa para escrever e sem perder tempo para viver.
José Saramago morreu por volta das 8h (horário de Brasília) desta sexta-feira (18) aos 87 anos, depois de tomar seu café da manhã ao lado de sua esposa. “Ele se despediu de uma forma serena e tranqüila”(sitio da fundação José Saramago).